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segunda-feira, 26 de julho de 2010


Texto em homenagem a minha amiga Darcy Cardoso, tava no blog dela, copiei e colei :)



Era uma tarefa para alguém com sangue-frio. Ela não o tinha, mas também não tinha opção. Foi até a cozinha na ponta dos pés, não podia fazer barulho e acordá-lo. Pegou a faca que estava na peixeira que seu pai havia lhe dado, grande e afiada.Lentamente voltou para o quarto, tomando tanto cuidado quanto antes. Ele estava lá, dormindo meio encolhido e muito frágil. Tão vulnerável que chegou a dar dó, mas ela não parou. Foi em frente, era agora ou nunca.Conforme ia subindo na cama, lágrimas começaram a lhe cortar a pele alva do rosto. Num soluço, meteu-lhe a primeira facada. Ele não teve tempo de reagir, apenas a encarou, os olhos marejados e cheio de dúvidas e suplicas. Quis parar, mas não podia. Era necessário! A faca ia e voltava na velocidade de suas lágrimas e gritos. Doía mais nela do que nele, tinha certeza.A cama já estava embebedada de sangue e ele, morto. A muito tempo. Parou e respirou. Os soluços do choro eram altos, mas sabia que ninguém ia ver o que acontecia. Choros eram comum naquele apartamento. Cravou-lhe a faca mais uma vez, e aos poucos foi decepando-o. Em pedaços não muito grandes nem muito pequenos. Tinha que caber no saco.Talvez essa tenha sido a parte mais suja do trabalho. Mas em pouco tempo os pedaços do corpo estavam ensacados juntamente com o lençol que testemunhara o crime. Num momento insano, quis ficar com pelo menos uma parte, contudo, se isso acontecesse, sabia que se sentiria culpada, e ele nunca iria embora. Não podia, já sabia, era óbvio.Saiu do apartamento furtivamente, o saco era grande e meio pesado; ele era grande, sempre ocupou espaço demais, mais do que podia e devia. Estava chovendo, surpreendeu-se por não ter notado isso antes, a água da chuva batia como chibatadas frias em sua pele e se misturava às lágrimas. Continuou, estava quase lá, só mais um pouco e tudo acabaria.Aproximou-se da imensa lata de lixo, sorriu ao ver aonde ele acabaria. No lixo. Levantou o saco com dificuldade e o jogou lá dentro num baque surdo. Começou a rir, estava livre, tinha acabado. Virou-se para ir embora, com a chuva lavando-lhe a alma. Finalmente tinha matado quem lhe matava. O amor.O momento mais forte do amor, é quando sabemos que ele precisa morrer, mas não temos força para matá-lo. - Autor desconhecido.

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